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Como funciona a primeira sessão de psicanálise online?

Foto do escritor: Ana Elisa Gonçalves Bortolin
Ana Elisa Gonçalves Bortolin
11 de ago.
9 min de leitura

Está pensando em começar uma psicanálise, mas não sabe o que acontece na primeira sessão? Entenda como funciona o primeiro encontro, o que você precisa dizer, como funciona a escuta psicanalítica e como se preparar para uma sessão de psicanálise online.

Começar uma psicanálise pode despertar muitas dúvidas.

O que vou falar na primeira sessão? Preciso saber exatamente por que estou procurando análise? Tenho que contar toda a minha história? O psicanalista vai fazer muitas perguntas? Vou precisar falar sobre assuntos que ainda não estou preparado para abordar? E será que a psicanálise online funciona?

Essas são perguntas legítimas, especialmente quando se trata do primeiro contato com um processo analítico.

Ao longo da minha prática clínica, percebo que muitas pessoas chegam à primeira sessão carregando não apenas aquilo que as fez procurar a psicanálise, mas também uma preocupação sobre como deveriam se comportar diante de um psicanalista.

Por isso, existe algo que considero importante esclarecer desde o início:

você não precisa saber exatamente o que dizer.

A primeira sessão não é uma prova, uma entrevista de emprego ou uma avaliação na qual você precisa apresentar uma versão organizada de si mesmo.

É um primeiro encontro.

E, na psicanálise, a possibilidade de falar é justamente um dos pontos de partida para o trabalho analítico.

O que acontece na primeira sessão de psicanálise?

Na primeira sessão, procuro compreender o que trouxe você até a análise e conhecer um pouco daquilo que está acontecendo em sua vida.

Cada pessoa chega de uma maneira.

Algumas procuram a psicanálise diante de um sofrimento emocional intenso. Outras chegam por dificuldades nos relacionamentos, conflitos familiares, ansiedade, mudanças importantes, perdas, inseguranças ou situações que parecem se repetir.

Há também quem procure a análise sem conseguir definir exatamente o que está acontecendo.

Às vezes, existe apenas uma sensação persistente de que alguma coisa não está bem.

E isso também pode ser um motivo para começar.

Não trabalho com um roteiro rígido que determine tudo o que precisa ser dito na primeira sessão. A escuta acontece a partir daquilo que você traz.

A partir da sua fala, vamos construindo o caminho do trabalho analítico.

Preciso saber exatamente o que dizer na primeira sessão?

Não.

Essa talvez seja uma das perguntas mais comuns de quem nunca fez psicanálise.

“E se eu ficar sem assunto?”

“E se eu não souber explicar o que estou sentindo?”

“E se eu falar alguma coisa errada?”

Você não precisa preparar um discurso.

Não é necessário organizar previamente toda a sua história, selecionar os acontecimentos mais importantes ou chegar com uma explicação pronta sobre o seu sofrimento.

Você pode começar simplesmente dizendo:

“Eu não sei muito bem por onde começar, mas procurei a psicanálise porque…”

E, a partir daí, a fala começa.

Na psicanálise, não estamos interessados apenas em uma narrativa perfeitamente organizada. Muitas vezes, aquilo que aparece de maneira aparentemente desordenada, contraditória ou inesperada pode revelar algo importante sobre a forma como cada sujeito se relaciona consigo mesmo, com os outros e com sua própria história.

O que é associação livre na psicanálise?

Um dos fundamentos da psicanálise freudiana é a associação livre.

De maneira simplificada, trata-se da possibilidade de falar sobre aquilo que surge no pensamento, sem precisar organizar previamente cada ideia ou selecionar apenas aquilo que parece importante.

Uma lembrança pode levar a outra.

Uma palavra pode trazer uma memória.

Uma situação aparentemente banal pode estar ligada a algo muito mais significativo.

Um sonho pode despertar uma associação inesperada.

É justamente nesse movimento que a escuta psicanalítica encontra material para o trabalho clínico.

Por isso, não é necessário chegar à sessão sabendo qual é o significado de tudo o que está acontecendo.

A análise não começa quando você já possui todas as respostas. Muitas vezes, ela começa quando você pode formular novas perguntas.

O psicanalista faz perguntas durante a sessão?

Sim, quando uma pergunta pode contribuir para o processo.

Mas a psicanálise não funciona como uma investigação em que o profissional precisa fazer uma sequência de perguntas para descobrir rapidamente “qual é o problema”.

Minha função não é encaixar você em uma explicação pronta.

A escuta psicanalítica procura acompanhar aquilo que aparece na sua fala: repetições, conflitos, contradições, desejos, dificuldades, esquecimentos, silêncios e determinadas formas de se relacionar com as situações e com as pessoas.

Às vezes, uma pergunta pode fazer você perceber algo que nunca havia pensado daquela maneira.

Essa percepção pode abrir um novo caminho de elaboração.

O que significa escuta psicanalítica?

Escutar, na psicanálise, é diferente de simplesmente ouvir.

Quando alguém conta uma história, existe aquilo que conscientemente deseja comunicar. Mas também existem elementos que podem aparecer sem que tenham sido planejados.

Uma palavra que se repete.

Uma lembrança que surge inesperadamente.

Um assunto que sempre retorna.

Uma relação na qual o mesmo conflito parece acontecer novamente.

Um sonho.

Uma contradição.

Um silêncio.

Esses elementos podem fazer parte do material clínico.

A psicanálise parte da compreensão de que nem tudo aquilo que influencia nossas escolhas, sentimentos e comportamentos está disponível de maneira consciente.

É nesse sentido que o inconsciente ocupa um lugar central no trabalho analítico.

O que posso falar com um psicanalista?

Você pode falar sobre aquilo que considera importante para o seu processo.

Pode falar sobre acontecimentos recentes, relacionamentos, família, trabalho, sentimentos, conflitos, sonhos, lembranças ou situações que parecem se repetir.

Também pode falar sobre algo que ainda não consegue compreender.

Não existe uma lista de assuntos obrigatórios para uma primeira sessão de psicanálise.

O importante é que a fala possa acontecer dentro de um espaço de escuta profissional e respeitosa.

Você também não precisa contar tudo de uma vez.

O processo analítico possui um tempo próprio, e determinados assuntos podem aparecer quando você estiver em condições de falar sobre eles.

O que acontece com aquilo que eu conto na sessão?

O espaço analítico precisa ser sustentado por responsabilidade, ética e confidencialidade.

Para que uma pessoa possa falar verdadeiramente sobre aquilo que a atravessa, é fundamental que exista um ambiente de confiança e respeito.

A sessão não é um espaço para julgamento moral.

Você não precisa apresentar uma versão idealizada de si mesmo.

Pode falar sobre aquilo que considera contraditório, difícil, constrangedor ou incompreensível.

A possibilidade de falar sem precisar corresponder às expectativas dos outros é uma das condições que permitem que a experiência analítica aconteça.

Quanto tempo dura uma sessão de psicanálise online?

No meu trabalho clínico, as sessões têm duração de aproximadamente 50 minutos.

Meu atendimento é realizado 100% online, por videochamada.

O atendimento online permite que pessoas de diferentes cidades e regiões possam ter acesso ao meu trabalho, sem a necessidade de deslocamento até um consultório físico.

Como se preparar para uma sessão de psicanálise online?

Não é necessário preparar o conteúdo da sessão.

O mais importante é preparar o ambiente.

Procure estar em um local reservado, silencioso e no qual tenha privacidade para falar.

É importante evitar realizar a sessão em lugares públicos ou em ambientes em que outras pessoas possam ouvir a conversa.

Também é recomendável ter uma boa conexão de internet e deixar o dispositivo posicionado de maneira confortável.

Se possível, o uso de fones de ouvido pode contribuir para a privacidade.

Não é necessário ter um ambiente perfeito.

O essencial é que seja um espaço suficientemente protegido para que você possa estar presente e falar com liberdade.

A psicanálise online funciona?

A psicanálise online mantém elementos fundamentais do trabalho analítico: a fala, a escuta e a construção da relação entre paciente e analista.

A tela modifica o meio pelo qual o encontro acontece, mas não elimina a dimensão subjetiva da experiência.

Para muitas pessoas, o atendimento online também oferece uma possibilidade importante de continuidade, especialmente pela flexibilidade e pela ausência de deslocamento.

Ao mesmo tempo, é importante que o paciente tenha condições adequadas de privacidade e concentração.

O atendimento online possui características próprias e precisa ser realizado de maneira responsável, em condições que permitam preservar a qualidade e a privacidade do encontro.

O que acontece depois da primeira sessão de psicanálise?

A primeira sessão também é uma oportunidade para você conhecer minha forma de trabalho e compreender melhor o que significa iniciar um processo de psicanálise.

Não existe necessidade de tomar uma decisão precipitada.

O processo analítico é construído ao longo do tempo.

A partir do primeiro encontro, podemos compreender melhor as questões que trouxeram você até a análise e avaliar a possibilidade de continuidade do trabalho.

A psicanálise não oferece respostas prontas para todos os conflitos da vida.

Também não promete eliminar completamente o sofrimento.

O trabalho é outro.

É criar condições para que você possa se escutar, compreender aspectos da própria história, reconhecer repetições e construir novas possibilidades de relação consigo mesmo e com o outro.

Preciso estar passando por um problema grave para fazer psicanálise?

Não.

Não existe uma única porta de entrada para a psicanálise.

Algumas pessoas chegam em momentos de sofrimento intenso.

Outras percebem que determinados padrões se repetem em seus relacionamentos.

Algumas estão atravessando uma mudança importante ou uma perda.

Outras simplesmente sentem que desejam compreender melhor a própria história, seus sentimentos e suas escolhas.

A pergunta não precisa ser apenas:

“O que há de errado comigo?”

Pode ser também:

“O que está acontecendo comigo e por que determinadas coisas continuam se repetindo?”

Essa mudança de perspectiva é significativa.

E se eu chorar na primeira sessão?

Pode acontecer.

Também pode acontecer de você rir, ficar em silêncio, mudar de assunto, lembrar de algo inesperado ou perceber uma emoção que não imaginava que surgiria.

Você não precisa controlar tudo o que sente para entrar em análise.

A sessão não é uma apresentação na qual você precisa demonstrar equilíbrio o tempo todo.

As emoções fazem parte da experiência humana e podem ser escutadas dentro do processo analítico.

E se eu não conseguir falar sobre aquilo que realmente me incomoda?

Isso também pode acontecer.

Nem tudo aquilo que nos atravessa encontra imediatamente uma palavra.

Às vezes, sabemos que existe alguma coisa incomodando, mas não conseguimos explicar.

Em outras situações, acreditamos saber exatamente qual é o problema e, ao longo da análise, percebemos que existem outras questões envolvidas.

Não saber também pode ser um ponto de partida.

O processo analítico permite que, pouco a pouco, novas associações sejam construídas e que aquilo que inicialmente parecia confuso possa ganhar outros sentidos.

A primeira sessão não precisa ser perfeita

Você não precisa chegar preparado.

Não precisa saber explicar toda a sua história.

Não precisa saber qual é o diagnóstico.

Não precisa saber como uma análise funciona.

Pode simplesmente começar contando por que decidiu procurar a psicanálise neste momento da sua vida.

A partir daí, vamos escutando o que aparece.

Porque, na psicanálise, aquilo que é dito importa, mas também pode importar aquilo que retorna, aquilo que se repete, aquilo que não conseguimos dizer e aquilo que aparece quando deixamos a fala seguir seu próprio caminho.

Como escolher um psicanalista?

Ao procurar um profissional para iniciar um processo de análise, considero importante que essa escolha seja feita com cuidado.

A relação entre paciente e psicanalista envolve confiança. Por isso, é natural e saudável que você procure conhecer a formação do profissional antes de iniciar um processo.

No meu site, disponibilizo informações sobre minha formação acadêmica, especializações e trajetória profissional, para que você possa conhecer melhor meu percurso e a maneira como construí minha prática clínica.

Também considero importante observar se o profissional busca continuamente se qualificar, estudar e aperfeiçoar sua prática.

A formação de um psicanalista não deve ser vista apenas como algo que aconteceu no passado. O estudo e o aprimoramento fazem parte de uma trajetória profissional contínua.

Antes de escolher, procure informações sobre a formação, experiência e proposta de trabalho do profissional.

Conhecer esse percurso pode ajudá-lo a fazer uma escolha mais consciente e a se sentir mais seguro para iniciar um processo tão particular.

No meu caso, acredito que a transparência sobre minha formação e meu percurso profissional é parte desse cuidado.

Minha formação e meu trabalho com a psicanálise online

Minha formação é em Psicanálise, com especialização em Saúde Mental e Neurociência, e meu trabalho clínico é fundamentado na escuta psicanalítica.

Realizo atendimentos 100% online, oferecendo um espaço de escuta individualizado para pessoas que desejam compreender melhor questões relacionadas à sua vida emocional, aos relacionamentos, aos conflitos internos e à própria história.

Cada sujeito possui uma história singular.

Por isso, não acredito em respostas prontas que possam ser aplicadas da mesma maneira a todas as pessoas.

A psicanálise parte justamente da singularidade.

O objetivo não é ensinar alguém a viver segundo um modelo ideal de felicidade, mas possibilitar que cada pessoa possa se aproximar daquilo que constitui sua própria experiência e compreender, com maior profundidade, os sentidos que atravessam sua vida.

Talvez você não precise ter todas as respostas para começar.

Talvez precise apenas de um espaço onde possa começar a falar.

Se você está pensando em iniciar uma psicanálise online, conheça minha formação e minha trajetória profissional. A partir dessas informações, poderá avaliar se meu trabalho faz sentido para o que está buscando e, se desejar, agendar uma primeira sessão.

Perguntas frequentes sobre a primeira sessão de psicanálise online

Preciso preparar o que vou falar na primeira sessão?

Não. Você não precisa preparar um discurso ou organizar toda a sua história. Pode começar contando o que fez você procurar a psicanálise.

Quanto tempo dura a sessão de psicanálise?

No meu trabalho clínico, as sessões têm duração aproximada de 50 minutos.

O atendimento é presencial ou online?

Meu atendimento é 100% online, realizado por videochamada.

Preciso contar toda a minha história na primeira sessão?

Não. O processo é construído gradualmente, respeitando o tempo e as possibilidades de cada pessoa.

Posso falar sobre sonhos durante a psicanálise?

Sim. Sonhos podem fazer parte do material trazido para a análise. Na perspectiva psicanalítica, porém, um sonho não deve ser reduzido a um significado universal ou a um simples “dicionário de símbolos”. Seu sentido é trabalhado a partir das associações e da história singular de quem sonhou.

Como escolher um psicanalista?

Procure conhecer a formação, a trajetória profissional e a proposta de trabalho do profissional. Também pode ser importante observar se existe um compromisso contínuo com estudo, qualificação e aperfeiçoamento.

Como agendar uma primeira sessão?

Você pode conhecer as informações sobre o atendimento e acessar a página Agende sua sessão.

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